Parte 1 - Protocolo clínico para o tratamento dos maxilares atróficos com implantes subperiósteos CustomLife:
- 18 de jun.
- 3 min de leitura
PARTE 1 – PLANEJAMENTO
Introdução
Considerando-se a extensão e precisão do desenho do implante personalizado, é de suma importância que um protocolo clínico seja estabelecido e seguido. Nesse artigo, discutiremos alguns pontos cruciais para o planejamento previsível dos implantes personalizados . Esses critérios devem ser observados desde a primeira consulta, sempre de acordo com as orientações do fabricante, para garantir o correto desempenho do produto.
Critérios de elegibilidade: quando o Implante personalizado está bem indicado?
Os implantes personalizados são indicados para casos de atrofia maxilar severa (Tipo V e VI), ou seja, casos com reabsorção óssea significativa, onde a altura e volume ósseo são insuficientes para implantes endósseos tradicionais (osseointegrados). Nesses casos, a obtenção de uma estabilidade da oclusão e suporte labial podem ser obtidas de forma mais rápida e menos invasiva. Também são indicados para pacientes em que técnicas de enxerto ósseo são arriscadas, contraindicadas ou não desejadas, ou seja, situações onde o prognóstico de grandes enxertias é limitado. Podem ser considerados como alternativa aos implantes zigomáticos ou técnicas de enxerto complexas, apresentando menor morbidade pós-operatória. Também estão indicados em pacientes com necessidade de reconstrução complexa, grandes perdas devido a acidentes e ressecções tumorais.
Quando não indicar um implante personalizado?
Pacientes com condições que contraindiquem procedimentos cirúrgicos, como doenças sistêmicas graves, diabetes não compensado, tratamento de câncer com quimioterapia e radioterapia não são elegíveis, a princípio.
Pacientes portadores de defeitos de maxila que envolvam comunicação buco-sinusal e portadores de fendas palatinas não devem receber uma prótese fixa, sendo indicado um estudo e planejamento individualizado. Pacientes submetidos a cirurgias ortognáticas, que possuam placas ou parafusos no trajeto do futuro implante, devem ser avaliados caso a caso.
A baixa capacidade de higienização oral, ocasionada pela perda ou rebaixamento da coordenação motora fina, pode contraindicar próteses fixas sobre esses implantes. O paciente tabagista corre maior risco de complicações e falhas na cicatrização de tecidos moles e na osseointegração.
Exames e materiais necessários para o planejamento
A qualidade do material enviado pelo cirurgião é de suma importância para o planejamento do Custom Life. Tomografias de alta qualidade, com FOV (Field of View/ Campo de visão) adequado, fornecem maior precisão para os desenhos. Para a maxila, o FOV deve contemplar rebordo infraorbitário, arco zigomático e osso maxilar. Para a mandíbula, o FOV deve contemplar todo o osso mandibular (desde a cabeça do côndilo na porção cranial ao rebordo inferior da mandíbula). Os arquivos DICOM devem ser enviados em cortes axiais sem reformatação e sem uso de filtros.
As tomografias devem ser realizadas com uma prótese (ou chapa de prova com dentes) e marcadores adequadamente posicionados (região anterior, laterais e palato). Tais marcadores podem ser feitos com guta percha inserida em orifícios de 2mm, realizados com broca, ou com anilhas de aço para auriculoterapias. A prótese ou chapa de prova com dentes e marcações deve ser escaneada apenas externamente, e o arquivo STL enviado juntamente com os arquivos DICOM.
Também são desejáveis fotografias extra bucais de qualidade, de frente e perfil, que contemplem toda a face do paciente e sorriso máximo, com o guia tomográfico em posição, e/ou escaneamento do rosto. Tais referências aumentam a previsibilidade estética no desenho da prótese.
Importância da referência dentária para o planejamento
O envio das referências dentárias (plano de cera ou prótese, ambos com marcadores tomográficos) pelo cirurgião permitirá que o desenho da estrutura do implante seja otimizado, evitando-se cantiléver desnecessário e melhorando a localização e extensão dos conectores protéticos e, consequentemente, a espessura dos materiais restauradores na futura prótese.
Conclusão
O planejamento dos implantes personalizados envolve a análise de vários fatores relacionados a critérios de elegibilidade do paciente, o respeito a um protocolo clínico de planejamento reverso e a preparação e envio de documentação de qualidade, que contemple não apenas bases ósseas como também referências dentárias.
Referências Bibliográficas
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